parado(xo)

entrar em contato contigo foi como conhecer o paradoxo temporal, em que se eu voltasse ao passado pra te encontrar antes, eu não mudaria nada em nossas vidas, pois você, por mais que seja incógnita, é simples. eu sei que você é infinita, mas é uma questão de vetor. eu quase sei o que você é, só preciso saber para qual lado da reta seguir. tenho 50% de chance de acertar de primeira. vou te calcular, espera. enquanto isso você me conta. me soma à sua vida. e subtrai o tempo toda vez que estivermos longe. se divida comigo. multiplica, amor. multiplica amor. vamos correr tão rapidamente, topa? pra atingirmos a velocidade na qual nos fará voltar pra trás e reviver, em ciclo infinito, o dia que você sorriu pra mim e eu sorri pra você de volta. sabe quand eu te vi sorrir e falei que achava que você carregava uma dor no peito tão vazia e você olhou transparente pra mim e falou ‘é’? eu não me esqueço disso. nem do segundo dia que a gente se viu e você falou que eu era ansiosa e que eu não deveria esperar você, porque você sempre ia chegar antes. aí você colocou a mão no meu pescoço e sentiu minha taquicardia, aí eu te confessei sem medo que, assim como você, eu só queria ser amada, mas que eu também tinha um medo terrível do amor. lembro dessas coisas e acho meio paradoxal. eu que sempre falei que pra conhecer alguém demandava tempo, mas conheci você quando cherei sua nuca e deixei você ver minha cicatriz. deixei, também, que você sentisse minhas mãos trêmulas. não era incomum a resposta do meu corpo ao seu toque, mas eu já sabia que eu ia amar você. desde o momento que sua chegada foi anunciada no meu ouvido e eu ouvi falarem que você já estava virando a esquina.  queria que você visse que eu fiquei com medo, mas não deixei ninguém ver. peguei minha xícara de café e fui fumar lá fora. você era a primeira pessoa que eu queria ver quando apagasse o cigarro. e eu só quero que o nosso amor funcione. a gente vai ter tempo, não vamos precisar manipular nada.

mas posso te pedir um favor? não me deixa calma, me deixa inquieta. se o amor fosse calmo, eu tmaria ansiolítico todo dia. você tirou minha paz, mas trouxe algo melhor. agora fuma comigo, que eu vou tirar foto de você com cigarro. isso, tá bm assim.

resposta

ontem me perguntaram por que não respondi a sua mensagem nem atendi as suas ligações. juro que milhões de argumentos passaram na minha cabeça, só que eu não falei nada. se eu dissesse que era porque você me fez sofrer muito, seria um drama danado. ou se dissesse que era porque você me deu tantos bolos na vida, que agora eu tinha que devolver, eu estaria mentindo, porque já te perdoei por isso. ou se eu dissesse que é porque eu não te amo mais, seria patético, senão nem estaria escrevendo isto. me perguntaram isso e eu fiquei pensando. sabe quando você pega uma prova achando que é de português mas na verdade é de física elétrica? então, olhei pra cara da pessoa com a mesma familiaridade que tenho com circuitos. e eu tentei buscar no meu âmago uma explicação plausível. não era uma questão de honra respondê-la, isso era, na verdade, muito fácil. tentei buscar uma resposta que me convencesse. aí eu tentei, em vez de ir atrás da resposta, lembrar de como tinha sido a nossa relação nos últimos meses, tentei lembrar das nossas conversas e, principalmente, das coisas que você disse e fez.  só consegui me lembrar do quanto eu fui submissa, não porque você impunha isso e fazia parte do seu tratamento a mim, mas eu estava tão exausta te amando, que eu acabava me entregando a você, era mais fácil do que fingir dignidade.

reparei o quanto as nossas conversas eram vazias, sem você interessado na minha opinião, sem eu te contando das coisas fúteis na minha rotina, sem você falando bobagens da sua faculdade ou me contando de pessoas que você conhece. nada disso. era apenas uma conversa superficial, entre duas pessoas que se conheceram e conversaram por bastante tempo, mas que no momento apenas gostavam do outro pelo que cada um tinha sido.

cada surpresa sua eu justificava ser parte da sua personalidade imprevisível, mas a verdade é que eu nunca te conheci. você nunca se despiu pra mim. e eu não posso te culpar. eu também não fiz piada de você, não falei que eu estava triste ou chamei você de idiota. eu estava tão preocupada em apenas me manter, ali, naquela conversa, que o último lugar que eu estava era me conectando a você. tanto é verdade, que eu só me fazia sentir afastada de você cada vez mais, mesmo trocando mensagens contigo todas as madrugadas, ou recebendo músicas de ti.

foi sempre uma troca de máscaras. a gente nunca se despiu de verdade. nunca me senti crua, nua, transparente, enquanto conversava com você.  talvez meu apego a nós tenha vindo daí. dessa inexistência, da impossibilidade de darmos certo.

eu não posso mentir que tenho medo da complexidade de um relacionamento amoroso. nem posso enganar você a respeito de que é muito mais confortável sofrer calada por você do que aceitar que outra pessoa gosta de mim enquanto eu me decomponho por você. era fácil gostar de você, porque por não ser recíproco, eu continuava sozinha. e que por ficar sozinha e me deprimir por você, eu não precisava me conectar a ninguém. nem a você. infelizmente você.

eu me meti num limbo profundo, busquei ajuda espiritual pra aceitar a irracionalidade do meu amor. fiz terapia, desfiz amizades, mudei de planos, me enclausurei só pra me envenenar com o ar que eu respirava você. me fiz tanto mal só pra me achar desprezível e conseguir justificar porque você não gostava de mim.

eu só queria que você dissesse que sentia o mesmo amor irracional por mim. não queria um encontro de mãos dadas ou um beijo na chuva na chuva. eu provavelmente teria fugido disso à iminência dos seus planos se você me contasse. eu sentiria uma náuse tão forte, que a minha covardia me pararia na hora H.

eu só queria um texto seu falando que não é bobagem nem loucura, você entendia o que eu sentia, porque você se sentia assim também. que tudo bem eu não te conhecer e te amar loucamente, você também o fazia. era só isso. só um e-mail. só uma mensagem. uma indireta no facebook me bastava. uma música em espanhol. qualquer coisa. qualquer vestígio de que eu não sou a única idiota dessa história. mas nada disso veio. só escutei o eco dos seus passos, pois a cada dia você parecia mais distante e desinteressado. e eu não sabia o que fazer ou pensar ou como seguir a minha vida, já que nem eu rastejando nos seus pés te mantinha minimamente interessado. decidi o contrário. quer saber? foda-se você. mas não te contei, não assim, com essas palavras. só falei não me procure mais. nem me importei se isso parecia um ‘procure sim, sua última chance, hein’. deixei o recado e fui embora. nem saí correndo, fui embora calma, como quando caminho na praia. e mesmo com as minhas pegadas, você não veio atrás. você até gritou uma vez ou outra só pra me testar e ver se eu iria olhar pra trás. eu acenei e sorri, mas não porque era reconfortante ver seu rosto, mas porque, hoje, agora, é tranquilo olhar pra ti e não querer destruir o mundo ou devastar todos os sentimentos existentes pra você caber em mim. agora é paz, porque eu entendi, enfim, o significado de relevância.

e mesmo que a minha maturidade e irracionalidade me mantenham apaixonada por você, eu sei quem verdadeiramente importa nesta vida. e você só não vai ser mais um na minha vida, porque a minha imaginação foi muito caridosa com a imagem que eu fiz de ti. não te respondi porque a mensagem era muito grande, e eu não iria digitar tudo isso no celular. é esse o motivo.

eu não sei por que eu deixei você partir

Eu não sei por que você insiste em mim ou vê beleza onde não há. Jura que você acha sinceridade tão bonita assim? Jura que você gosta de ouvir minhas inteiras verdades, mesmo que isso deboche da sua condição? Eu sinto muito por ter arrancado algumas verdades desnecessárias de ti. Sinto muito que eu precisasse sempre dizer ”é, eu sei, você tem se sentido sozinho, por isso conversa comigo” só pra toda vez ouvir você reformular a minha frase: ”não, não é isso. eu gosto de você e de conversar com você, não tem nada a ver com falta opção”. Eu queria ter sentido mais antes, mas havia uma nuvem me impedindo de enxergar a vida com clareza. Excluí você com uma facilidade tão irreconhecível que nem parecia que eu e você já formávamos um par. Não entendo. Eu queria te ligar agora pra te contar exatamente como eu acho que me sinto. E eu gostaria de ter coragem de dizer a você pra não desistir de mim nem pra me deixar desistir de você, como eu fiz da última vez. Esqueça tudo que eu falei que odeio, insista em mim, por favor. Eu tô implorando. Deixa de lado todo esse autocontrole e equilíbrio que eu tanto admiro, tira isso por mim. Se enlouquece. Fala que já estava perdendo a noção. Eu errei quando disse que você não voltaria, mas fala que voltou por mim.

fingi na hora rir

hoje eu quis brincar de ter ciúme de você. você não percebeu, mas quando eu despedi de ti no almoço, eu voltei depois pra onde você estava pra ficar te olhando. e eu sei que eu fiz isso porque eu queria me torturar de alguma forma. então escolhi alguém com quem me importo. escolhi você. escolhi olhar pra como você olha pra ela. só pra lembrar do sorriso de canto que você tenta reprimir toda vez que você fala o nome dela em meio a alguma conversa qualquer nossa. e nesse momento eu tive vontade de te ligar e te perguntar tudo que você acha de mim, só pra ouvir de novo aquele monte de elogios que você vive proferindo a mim. só pra que por um segundo eu me sinta melhor do que ela. mesmo eu sabendo que isso não é relevante. eu fui egoísta, eu sei, mas eu só tô pedindo você. e eu sei que eu não posso simplesmente dizer isso em voz alta como quando eu peço alguém pra passar a manteiga. seria antinatural. seria estranho. e no fundo eu tô imaginando isso tudo. você ainda nem falou dela pra mim. eu nem sei comoo você olha pra ela. mas eu fiquei esquizofrênica nas últimas semanas. eu acordei diversas vezes com o barulho de mensagem do meu celular implorando pra ser você, embora eu saiba que você não tem meu número. e a gente nem almoçou, ou se viu, ou qualquer outra coisa, mas eu gosto de pensar em você. tô com ciúme de verdade, e, desculpa, eu não tô familiarizada com isso.

teste

alguns anos depois e a constatação patética do que realmente havia acontecido. por que eu demorei tanto pra entender? será que a impureza de tudo isso me fez achar que o problema era, na verdade, comigo? será que eu estou certa em ainda hoje achar que o problema é comigo? eu não estou acostumada a arcar com as consequências de decisões que eu não tomei. foi sempre eu por mim mesma, sempre eu respondendo pelo que eu fazia, nunca ninguém se impôs, tropeçou na minha frente e falou antes de mim ‘ei, pode deixar, eu cuido disso pra você’. até mesmo porque, se alguém tentasse fazê-lo, eu tentaria impedir. aquela coisa: não sinto falta daquilo que não tive. e encarar tudo isso sozinha, sem ninguém pra sentir muito, porque o único culpado não se manisfetaria, e eu também nem faço questão de ir atrás, seu rosto já se desmanchou há muito daquela única cena que eu me lembro de algo a ver com você. e eu não sinto raiva. não me sinto injustiçada. eu só acho que isso, de agora, eu não mereço. mas eu enxergo tudo muito bem. a vida não é seguida pela lógica cristã de que em tudo há um propósito. eu trocaria facilmente a experiência traumática por nada. mesmo que isso me fizesse uma pessoa diferente do que sou. trocaria só pra não ter que encarar essa sala de espera. só pra não me sentir patética chorando por coisas de uma década atrás. e ter que me sentir suja pelo balde de lama que você jogou na minha infância que eu só fui conseguir entender que eu não tinha me jogado lá agora. eu não sei lidar, mas estou me dando muito melhor do que eu imaginei.

Te quero, bem.

Hoje eu acordei com a minha voz da consciência dizendo ”você ama ele, minha filha, não tem jeito”. E eu lembrei que eu tinha dormido com a imagem de outro cara beijando a minha mão enquanto dizia gostar de mim, e eu sei que dormi sorrindo com isso. Mas aí a bendita manhã me traz essa notícia. E não tem outro jeito mesmo. Cansa odiar todo mundo e achar todos os caras imbecis; eu sei, bem no fundo, que todos eles são mesmo, mas se eu não tenho você pra concordar comigo no fim do dia, pra sussurar no meu ouvido que eu sou a guria mais inteligente, se não tem você pra me fazer acreditar que todo esse desprezo vale a pena, eu só tô perdendo energia. Essa luta contra todos não tá me fazendo bem. E eu queria muito que minha parte irracional visse sentido nisso. Eu sei racionalmente que isso só me faz mal, mas não é como se meu coração e pele e corpo fosse entender que depois de meses de você eu fosse me acostumar a outro ser humano na face da Terra. Eu juro que eu tentei gostar, me apegar, me apaixonar por outra pessoa. Eu juro que eu dei chance pra conhecer, que eu saí, que eu sorri, me arrumei, coloquei decote, li mais livros. Juro que tentei fazer com que eles fossem mais interessantes que você. Eu até me afastei de você, porque toda cnversa nossa me dá mais mil motivos pra continuar te amando, mas você vive se aproximando. Não sei se porque gosta de conversar comigo (o que me faz te amar ainda mais) ou se porque não quer me perder do seu alcance (que se for o caso, tá funcionando). Eu cansei de dividir a vida, as opiniões, os pontos de vistas com outras pessoas. Minhas falas são ensaiadas pra você ouvir. E constatar que eu e você não funcionamos me deprimiu hoje mais do que qualquer outro dia. Mesmo eu não estando com vontade de morrer nem de me matar.

Hoje eu acordei te amando muito, e dessa vez coube no peito. Te quero bem. Te quero bem aqui.

paixão rara,
paira
mas não para.
Kalil F. (via desprezivel)

(via desprezivel)

estamos sozinhos

eu gosto de ficar só. eu gosto de sentir a alma desacompanhada e conseguir ouvir cada batimento do meu coração. e fumar sem pressa enquanto a fumaça se espalha pelo meu cabelo. e imaginar você enquanto eu sei que você segura a mão de outra guria e sorri pra ela e divide a cama e seu coração. eu gosto de ter espaço pra ficar triste, porque minha tristeza não cabe em mim então eu tenho que ficar só pra me sentir inteira. eu preciso desse tempo. aí me aparece você e me tira da solidão. me faz amar mais a sua companhia do que a minha. me faz acordar rindo e dormir no seu colo enquanto você mexe no meu cabelo. me tirou a paz pra me fazer ficar ansiosa pra passar um pouco mais de tempo contigo. mesmo eu sabendo que você não vai sair do lugar. mesmo eu sabendo que você não vai correr de mim. mesmo prestando atenção na forma como você cuida de mim e me respeita.

e ainda que eu saiba que eu não posso precisar de você - e eu não preciso-, eu amo você.

porque quando você me olha o mundo faz mais sentido. e eu queria que todas as pessoas tivessem os seus olhos, elas enxergariam tudo mais bonito. elas prestariam atenção nos detalhes que escapam à maioria, menos a você. elas saberiam olhar pro cheiro, pra nuca, pras pintas, para os desenhos de meio sorriso, para o brilho no olhar que acompanha uma risada sincera. elas veriam não a pele, mas os rins, o fígado, a alma nua e crua.

eu me sinto despida quando converso contigo. me sinto totalmentte só porque sei que você não está aqui por mim, e isso é melhor do que a minha companhia.

estou a sós. estamos só. apenas.

pra minha melhor amiga

torço por nunca perder essa vontade de me explicar pra você, isso é uma das minhas formas de dizer que eu me importo com o que você pensa de mim. eu sei que você não vai me julgar mal, alguma coisa em mim te convence que eu não sou tão ruim assim. mas é que a cada dia que passa e a gente se diz precisar uma da outra eu vejo que me expressei meio mal aqui ou ali, então vim esclarecer. quando eu digo que eu te amo e amo a forma que você me faz feliz, eu não quero dizer que se você estiver mal eu vou parar de te amar ou você vai parar de me fazer feliz. não, eu amo você, seu jeito, seu sorriso, seu abraço quente, suas piadas, seus cílios, seu cabelo, sua forma de andar, ou de imitar alguém, sua voz de sono, sua cara de sono, sua mão entrelaçada na minha, seu namorado. amo tudo que te acompanha, porque você traz coisas boas. então é por isso que me sinto bem enquanto te acompanho, me sinto parte de um clube das pessoas felizes, como se você escolhesse a dedo cada um que te é importante. tô tentando honrar o mérito, por isso me vejo cada dia mais com a necessidade de me tornar uma pessoa melhor, não por você, mas porque se eu estiver bem, você fica, se possível, ainda mais feliz, e eu adoro te arrancar sorrisos ou risadas. adoro ouvir de você frases no meu tom ou enxergar em mim sua forma de pensar, amo confundir minhas coisas com as tuas. esse é nosso legado. a gente se tem. enquanto eu tiver vontade de tirar foto de uma construtura só porque o nome dela é FAGUNDES e eu quero te mostrar, ou ter necessidade de provar uma pra outra o quanto a gente se ama quando somos só nós duas, mas ficar trocando ofensas em público e rindo da cara de quem se sente desconfortável, o nosso amor vai durar. porque a gente se admira o suficiente pra saber o que é brincadeira ou não, a gente é segura o suficiente pra chamar a outra de burra ou debochar da resposta da outra, porque a gente sabe que, no fundo, a gente vai levar tudo na zoeira e depois ficar rindo da cara do trouxa que levou a gente a sério. não vou falar que tudo vai permanecer intacto, temos pouca bagagem, temporalmente falando, então tudo isso que você me fez passar nos últimos meses (provavelmente meus melhores) é só o início do que a gente vai ter pra oferecer uma a outra.

(velho, este texto foi escrito há muito tempo, foi no ano passado isso, não me lembro a data, aí tava fuçando o tumblr e o achei em rascunhos. tô publicando pq é o que eu iria escrever, de qualquer forma. te amo)

together we are invencible

Quando você disse que estava tudo acabado, significando que eu não te teria mais na minha rotina, na tela do meu celular, no meu travesseiro, nem seu cheiro no meu moletom eu quis morrer. Não é que você significasse tudo pra mim, na verdade, você era tudo pra mim. Meu mundo se resumia a tudo que a gente vivia. Foda-se se eu tivesse que ficar 7 horas naquele trabalho chato ou passar a madrugada escrevendo um roteiro que eu achava entediante, eu sabia que você iria pra minha casa depois do cursinho e iria ficar cheirando minha nuca e beijando meu ombro e rindo de como eu faço poesia com cada palavra que você diz.

Como assim eu te faço viver o máximo de amor que duas pessoas poderiam pra agora você vir me dizer que não me quer mais? Eu não senti raiva de ti, não senti ódio da vida, não quis me matar, eu me senti traída. Eu merecia você. Eu só queria você. Só importava você. Eu nunca mais ia encontrar alguém que corresse no meio do pátio comigo pra comer bolo de cenoura com cobertura de chocolate, ou alguém que me fizesse escrever trinta poesias em um dia, ou então me fazer querer morrer de rir depois de ter ficado triste com algum amigo meu.

Ninguém jamais vai morrer por ti de amor como eu faria.

E eu queria que você entendesse isso. Eu queria que você soubesse que quando eu te ligo pra perguntar o telefone de fulano é só pra ouvir tua voz, que eu te acho linda careca, de pijama, de vestido longo ou acabando de acordar. E que no primeiro mês subsequente à nossa separação eu perdi 11kg mas nada se compara a ter perdido você. E que todos os livros de drama que eu leio nunca vão contar uma dor maior que a que eu carrego por não estar com você todos os segundos que uma hora conta. E nem que eu consiga dizer eu te amo todos os dias, nunca vai ser suficiente. Eu te amo não basta. Eu tenho que me matar aos poucos pra você perceber que sem você eu entro em decomposição. Eu tenho que te provar que sou doente por você. Mas a culpa não é sua. É nossa, porque juntas éramos invencíveis.

laugh when he falls through the bar

Mais uma manhã de domingo pra quem não ama mais. Mais um copo de conhaque pra quem não bebe tanto há tanto tempo. E eu fumo não mais porque quero, mas minha boca seca quando penso em ti e eu preciso inalar toda a fumaça e ar e impureza que eu puder, senão eu morro sufocada com a sua lembrança. Nem curei da ressaca da noite passada e esse outro copo de conhaque é pra me provar. O gosto da bebida é melhor do que o gosto amargo do seu beijo. Nem sei porque insisto na gente.

Mais uma noite de domingo pra quem ama ainda mais. Mais um maço de cigarro pra quem já fuma muito há muito tempo. E o Thom diz que ‘true love waits’, mas eu já esgotei todo o tempo de espera possível. Fiz hora extra na fila. Tapei o rosto com o cardápio pra ninguém me reconhecer e ser menos humilhante. Mandei o garçom recolher o outro prato da mesa sem mee dar ao trabalho de dar uma desculpa.

Eu sabia que você não viria. Você teve meses pra fazê-lo.

E é engraçado o quanto você se tornou pequeno diante da magnitude de coisas pelas quais passei, mas agora você já tem a mesma dimensão de novo. Por que você insiste em atravessar meu caminho só pra não me perder do teu alcance? Pra que me incomodar se não for pra ficar e me fazer companhia? Por que você não consegue me dizer que me ama?

o meu amor irracional nunca vai acabar, porque ele é irracional

Os meus amigos me ligaram pra ir pr’aquela festa que todo mundo vai, só você que não. Eles me prometeram muita diversão, mas vai ser sem você. Eles disseram que se eu beber muito, eu vou esquecer quase tudo, talvez até mesmo você. Eles sabiam que a minha voz era de choro, e não de sono, como eu disse. Eles estão cansados de ouvir seu nome, nossas histórias e o meu choro desconsolador. Eles estão tão cansados quanto eu dessa palhaçada toda que a gente fez de tudo isso. E eu não sei mais referir a nossa história sem chamar de isso, porque não tem outro nome. Não tem nada. Nunca teve. E um dia você importa e no outro eu já estou rindo da sua cara e do quanto é patético e sem sentido eu amar você absurdamente. Amar assim. Porque com você é tudo meio indefinido. As linhas retas viram tortas e sem forma. Tudo vira do avesso sempre que eu te vejo porque sempre parece a primeira vez. E sempre é. Sou sempre eu com cara de boba e de criança e de ingênua - adjetivo que você usa pra me definir - e de patética, porque eu gosto tanto de você que eu não sei sorrir, eu faço uma cara que é uma mistura de eu não sei bem definir, mas é como se eu tivesse aberto o presente que eu mais queria e descobrisse que não era pra mim. É uma felicidade seguida de decepção, pois você não é tão legal quanto eu tento te fazer parecer pros meus amigos. Você não é, muito menos, alguém que eu teria vontade de apresentar pros meus amigos. Eles são muito mais incríveis que você. Na verdade, todo mundo é. Inclusive aquele cara babaca da minha sala que só deu em cima de mim porque me acha misteriosa e homem tem interesse nesse tipo de menina porque sempre acha que elas têm algo a dizer. Eu não tenho algo a dizer. Aliás, além de que amo você não tenho mesmo nada a dizer. E eu cansei de gritar desesperadamente o quanto meu amor é sufocante pra tentar te trazer pra mais perto pra poder escutar o que diabos eu tanto grito. Você olha na minha direção mas não se interesa. Deus, todos os outros caras se interessam. Todos os outros caras querem saber o que diabos eu tenho a dizer. E todos os outros caras não são você. Nenhum deles me manda música de madrugada ou escuta Arctic Monkeys de madrugada. Ou eles o fazem e eu nem sei, porque estou cega enxergando você. Estou tão irracionalmente presa na bolha que eu criei pra gente e pro meu amor autodestrutivo que não consigo me importar mais com quem se interessa por mim. Enquanto meu corpo enrijecer porque você falou comigo eu sei que não importa se eu não penso em ti há semanas: significa que eu te amo. E isso é chato. Para.

Você se foi e eu não poderia deixar de trocar de roupa pra te acenar enquanto te vejo partir. Dessa vez sem lágrimas nos olhos. Te deixo ir porque te amo de qualquer forma. Te amo até de costas ou de cabeça pra baixo ou beijando a minha barriga. Ou olhando pra bunda de outra guria. O tchau não é triste desta vez porque por mais que tenhamos sido algo eu entendi que você não é meu e nunca vai ser, não porque você seja inatingível, mas é que no final do dia, antes de dormir, eu constato que eu não pertenço a ninguém. Eu percebo, finalmente, o que você queria dizer todas aquelas vezes em que dizia me amar sem ser olhando nos olhos ou não me ligando à noite pra dizer que está com saudade. Não, eu não sinto mais sua falta. Apenas amo a sua presença, mas meu coração não dói mais. Não deito em posição fetal nem peço ao deus que não acredito o seu amor. Não perco o ar quando você fala comigo, nem tampouco deixo de dormir porque ouvi uma notícia triste a seu respeito. Sinto muito, mas não sinto tanto. Eu não vou te culpar por isso. Nem considero isso triste. Mas, ó, tchau. E eu não soaria clichê se dissesse te cuida, porque eu quero muito que tu faças isso.

me salva da selva

você toca meu cotovelo e eu sinto arrepios da ponta do dedo do pé até a raiz do meu cabelo, você nem percebe, mas ri do meu cheiro, do meu cabelo que você bagunçou ou da minha falta de familiaridade com sorrisos. você sabe que eu sei rir das coisas mais idiotas e pequenas e despercebidas, mas você sabe, também, que eu não sei sorrir. aí você me desafia e me chama de linda e não tem como não sorrir ao ouvir isso de ti. e você fica feliz em ganhar um aposta que você travou consigo mesmo. você me chama de imbecil, de ciumenta, de chata, de pirralha, tudo pra ter uma desculpa pra eu virar meu rosto pra tua direção; você me chama, agora, porque virou hábito o seu cílio estar alinhado com o meu. e eu não posso reclamar de você beijando meu pescoço em momentos aleatórios ou segurando minha mão em público, como se fôssemos, de fato, um casal. eu não posso reclamar, porque eu gosto. de verdade. e eu sei que eu sei reclamar de tudo, mas reclamar de você não existe. assim como não existe chocolate que emagrece nem namorado que lembra a data do primeiro encontro. então a gente existe, e nesses momentos meu coração é paz. juro que meu único medo é de você se levantar pra ir atender a porta ou ter que atender o celular a trabalho, porque isso significa ausência. e eu não gosto de ter que dividir a sua atenção com mais ninguém, não por ciúme, mas porque é um absurdo eu não poder aproveitar todo o momento de que temos disponível juntos. eles nem são tão raros, mas são tão indescritivelmente bons que eu me pego sentindo saudade de você na fila do supermercado enquanto você foi pegar o biscoito que eu esqueci, me pego, inclusive, sentindo saudade da sua mão quando você desfaz da minha pra coçar a nuca. nem é impossível viver longe de você, mas é ruim. no último final de semana que você foi visitar tua mãe, enquanto a gente conversava eu me prometi não dizer saudade. devo ter me impedido de dizer isso umas 500 vezes, porque isso está incontrolável. e é bom demais. aí você massageia as minhas costas equanto conta alguma história do seu dia de trabalho e eu prefiro isso a qualquer parque de diversão, sexo selvagem, viagem à Europa, compras ilimitadas ou pipoca doce. Eu prefiro qualquer momento contigo a qualquer outra coisa no mundo que não inclua você. entre tantas pessoas chatas e desinteressantes, você apareceu. meu amor por ti é como um leão, ou você cuida sozinho, ou mantém numa jaula, senão vai ser prejudicial pra alguém. e eu tô perdida na selva, amor, me salva.

can’t

Penso na minha morte, e pela primeira vez isso me amedontra. Taquicardia. Eu olho para os rostos tranquilos, sorrisos sinceros e só consigo pensar: meu deus, como vocês conseguem?

Acendo outro cigarro, minha pressão abaixa, lembro de armas e tiros e pessoas correndo. Penso comigo: meu deus, como vocês conseguem?

Meu passo é pressa, minha noite não é paz, é pânico. Meu sono não me serve de refúgio, os pesadelos vêm aos montes agora. E enquanto a gente ri por horas de coisas bestas, eu te pergunto: meu deus, como você consegue?

Acordei, depois de meses, querendo morrer; não desejando viver o ato da morte, apenas não existir mais. Viver é um absurdo, já li por aí. Morrer é o que então? Se algum tempo atrás morrer não era um problema, agora virou minha obssessão. Em cada esquina pode haver um homicida ou um homem bomba ou uma calçada. Nunca tive tanto medo. Nunca quis tanto ser um camponês da Idade Média. Meu deus, como eles conseguiam?

E as pessoas felizes e ignorantes e senso-comum dizem ser parranoia, besteira, falta de fé, ”a vida é assim”.

Viver com a certeza da morte é uma coisa, aceitar a iminência dela é outra. Meu deus, eu não consigo.